Coração | Complexo estimulante – Eletrocardiograma

O coração do sapo quando retirado do corpo do animal continua a contrair-se ritmicamente durante al­gum tempo. 

A esta propriedade deu-se o nome de au­tomatismo cardíaco.

Da mesma forma, corações isola­dos de animais de sangue quente apresentam este au­tomatismo, desde que colocados em uma solução líqui­da especial substitutiva do sangue.

O controle da atividade cardíaca é feito através do n. vago através de impulso intrínsecos e extrínsecos. 

O extrínseco por sua vez é comandado pelo sistema nervoso autônomo (SNA).

O Sistema Nervoso Autônomo, de forma automática e independendo de nossa vontade consciente, exerce influência no funcionamento de diversos tecidos do nosso corpo através dos mediadores químicos liberados pelas terminações de seus 2 tipos de fibras: Simpáticas  e Parassimpáticas.

 

As fibras simpáticas, na sua quase totalidade, liberam noradrenalina

Ao mesmo tempo, fazendo também parte do Sistema Nervoso Autônomo Simpático, a medula das glândulas Supra Renais que liberam uma considerável quantidade de adrenalina na circulação.

 

Já as fibras parassimpáticas, todas, liberam um outro mediador químico em suas terminações: acetilcolina

Estes nervos agem sobre uma formação situada na parede do átrio direito, o nó sino-atrial, considerado como o “marca-passos” do coração. 

Daí, ritmicamente, o impulso es­palha-se ao miocárdio, resultando contração.

Este im­pulso chega ao nó átrio-ventricular, localizado na por­ção inferior do septo inter-atrial e se propaga aos ven­trículos através do feixe átrio-ventricular

Este, ao ní­vel da porção superior do septo interventricular, emi­te os ramos direito e esquerdo, e assim, o estímulo alcança o miocárdio dos ventrículos.

Ao conjunto des­tas estruturas de tecido especial é dada a denomina­ção de sistema de condução.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5 ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Têm-se assim, a formação do eletrocardiograma

Onda P

Corresponde à despolarização atrial, sendo a sua primeira componente relativa à aurícula direita e a segunda relativa à aurícula esquerda, a sobreposição das suas componentes gera a morfologia tipicamente arredondada (excepção de V1)[não se encontra explicação sobre o que vem a ser V1], e sua amplitude máxima é de 0,25 mV.

Tamanho normal: Altura: 2,5 mm, comprimento: 3,0 mm, sendo avaliada em DII.

A Hipertrofia atrial causa um aumento na altura e/ou duração da Onda P.

 

Complexo QRS:

Corresponde a despolarização ventricular

É maior que a onda P pois a massa muscular dos ventrículos é maior que a dos átrios, os sinais gerados pela despolarização ventricular são mais fortes do que os sinais gerados pela repolarização atrial.

Anormalidades no sistema de condução geram complexos QRS alargados.

 

Onda T:

Corresponde a repolarização ventricular.

Normalmente é perpendicular e arredondada.

A inversão da onda T indica processo isquêmico.

Onda T de configuração anormal indica hipercalemia.

Arritmia não sinusal = ausência da onda P

 

Onda U:

A onda U, nem sempre registrada no ECG, corresponde a repolarização dos Músculos Papilares.

 

Onda T atrial:

A onda T atrial, geralmente não aparece no ECG, pois é “camuflada” pela Repolarização Ventricular. 

Ela corresponde a Repolarização Atrial, e quando aparece possui polaridade inversa a onda T – Repolarização Ventricular.

 

Intervalo PR:

É o intervalo entre o início da onda P e início do complexo QRS

É um indicativo da velocidade de condução entre os átrios e os ventrículos e corresponde ao tempo de condução do impulso elétrico desde o nó atrio-ventricular até aos ventrículos.

O espaço entre a onda P e o complexo QRS é provocado pelo retardo do impulso elétrico no tecido fibroso que está localizado entre átrios e ventrículos, a passagem por esse tecido impede que o impulso seja captado devidamente, pois o tecido fibroso não é um bom condutor de eletricidade.

 

Período PP:

O Intervalo PP, ou Ciclo PP. 

É o intervalo entre o início de duas ondas P

Corresponde a frequência de despolarização atrial, ou simplesmente frequência atrial.

 

Período RR:

O Intervalo RR ou Ciclo RR. 

É o intervalo entre duas ondas R

Corresponde a frequência de despolarização ventricular, ou simplesmente frequência ventricular.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

DRAKE, Richard L.; VOGL, A. Wayne; MITCHEL, Adam W. M.: Gray’s anatomia clínica para estudantes. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

HALL, John Edward; GUYTON, Arthur C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5 ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

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