Sistema nervoso

As funções orgânicas, bem como a integração do animal no meio ambiente estão na dependência de um sistema especial denominado sistema nervoso.

Isto significa que este sistema controla e coordena as funções de todos os sistemas do organismo e ainda, recebendo estímulos aplicados à superfície do corpo animal, é capaz de interpretá-los e desencadear, eventualmente, respostas adequadas a estes estímulos.

Assim, muitas funções do sistema nervoso dependem da vontade (caminhar, por exemplo, é um ato voluntário) e muitas outras ocorrem sem que delas tenhamos consciência (a secreção da saliva, por exemplo, ocorre independente de nossa vontade).

É fácil verificar que, à medida que subimos na escala zoológica, a complexidade do sistema nervoso aumenta, acompanhando a maior complexidade orgânica dos animais considerados.

Seu máximo desenvolvimento é alcançado no homem, pois nesta espécie zoológica, o sistema nervoso responde também por fenômenos psíquicos altamente elaborados.

O sistema nervoso interage com o meio externo e interno, mantendo a homeostase.

Para isso, propriedades básicas do protoplasma devem ser lembradas:

Excitabilidade,

Condutibilidade,

Contratilidade.

Origem embrionária

1) Ectoderme: origina a pele e o sistema nervoso. O sistema nervoso origina-se da placa neural, sulco neural, goteira neural e, por fim, a goteira neural.

O tubo neural desprende-se do epitélio de origem fechando-se na forma de um tubo. Observamos a formação das cristas neurais (mais tarde originarão o sistema nervoso periférico) e a notocorda, que dará origem às vértebras.

O disco intervertebral é formado por dois núcleos: fibroso (mais externo) e o pulposo (mais interno), sendo este último um remanescente da notocorda.

A extremidade anterior do tubo neural se desenvolve mais que a posterior formando uma dilatação denominada vesícula encefálica ou arquencéfalo.

2) Mesoderme: origina coração, vasos, músculo, ossos.

3) Endoderme: origina as vísceras.

Na evolução embrionária a vesícula anterior (encefálica) irá formar outras três vesículas denominadas:

Prosencéfalo;

mesencéfalo;

E rombencéfalo.

O prosencéfalo formará o telencéfalo e o diencéfalo. 

O diencéfalo formará estruturas como o tálamo e o hipotálamo enquanto que o telencéfalo se desenvolverá e dará origem aos hemisférios direito e esquerdo e também aos núcleos da base.

Enquanto que o mesencéfalo formará o próprio mesencéfalo.

E o rombencéfalo em metencéfalo (formará a ponte e o cerebelo) e o mielencéfalo (medula espinhal).

Quando falamos em encéfalo estamos considerando o tronco cerebral, constituído pelo mesencéfalo, ponte e bulbo, como também o cerebelo, ambos, adicionados ao cérebro propriamente dito.

Logo, cérebro e encéfalo são denominações que determinam estruturas diferentes.

Em um corte transversal do tubo neural identificamos estruturas diferentes.

No seu interior há uma cavidade chamada de canal neural delimitada posteriormente, por lâminas alares (formarão os centros sensitivos) e, anteriormente, por lâminas basais (formarão os centros motores).

Estas lâminas são separadas por sulcos limitantes (formarão os centros vegetativos), superiormente há a lâmina do tecto e inferiormente a lâmina do assoalho.

Divisão do sistema nervoso

Reconhecemos no sistema nervoso duas partes que são o sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP).

A divisão é topográfi­ca e também funcional, embora as duas porções sejam interdependentes.

O sistema nervoso central é uma porção de recepção de estímulos, de comando e desencadeadora de respostas. 

Pode-se dizer que o SNC está constituído por estruturas que se localizam no esqueleto axial (coluna ver­tebral e crânio): são a medula espinal e o encéfalo.

A porção periférica está constituída pelas vias que conduzem os estímulos ao sistema nervoso central ou que levam até aos órgãos efetuadores as ordens emanadas da porção central.

O sistema nervoso periférico compreende os nervos cranianos e espinhais, os gânglios e as terminações nervosas.

Meninges

O encéfalo e a medula espinhal são envolvidos e protegidos por lâminas (ou membranas) de tecido con­juntivo chamadas, em conjunto, meninges.

Estas lâminas são, de fora para dentro: a dura-máter, a aracnóide e a pia-máter.

A dura-máter é a mais espessa de­las e a pia-máter a mais fina. Esta última está intima­mente aplicada ao encéfalo e à medula espinhal.

En­tre as duas está a aracnóide, da qual partem fibras delicadas que vão ter è pia-máter, constituindo uma re­de semelhante a uma teia de aranha.

A aracnóide é separada da dura-máter por um espaço capilar deno­minado espaço subdural e da pia-máter pelo espaço subaracnóide, onde circula o líquido cérebro-espinhal (ou líquor).

Neurônios

O neurônio é a célula que constitui o sistema nervoso, trata-se de uma célula extremamente especializada com funções que uma vez perdidas não serão restabelecidas, isto é, são células incapazes de se reproduzirem.

Apesar de conhecermos a unidade funcional do sistema nervoso, não conseguimos a partir de uma célula, estabelecer a função de todo o órgão.

A grande dificuldade do sistema nervoso constitui-se no fato de que o neurônio, dependendo da área considerada, se comporta de uma forma diferente.

Nos dá a impressão de que há vários órgãos dentro de um mesmo órgão.

A célula neural possui um corpo celular ou pericário, uma série de prolongamentos denominadas dendritos e uma região de comunicação mais espessa, denominada axônio.

Este axônio prende-se ao corpo celular através de uma região denominada cone de implantação ou simplesmente Hillock.

Na porção terminal do axônio encontramos pés ou botões terminais onde através de vesículas químicas haverá comunicação interneuronal.

Essas comunicações poderão ser químicas ou elétricas, vale destacar que no organismo humano há prevalência de sinapses (regiões de comunicações) químicas.

Uma capa fosfolipídica, muitas vezes, envolve estes axônios sendo denominadas bainha de mielina, uma espécie de isolante elétrico que acelera a condução do impulso nervoso.

Sinapse é a região localizada entre neurônios onde agem os neurotransmissores (mediadores químicos), transmitindo o impulso nervoso de um neurônio a outro, ou de um neurônio para uma célula muscular ou glandular.

O espaço entre as membranas das células é chamado fenda sináptica.

A membrana do axônio que gera o sinal e libera as vesículas na fenda é chamada pré-sináptica, enquanto que a membrana que recebe o estímulo através dos neurotransmissores é chamada pós-sináptica.

As sinapses podem acontecer de até 6 maneiras diferentes, são elas:

1 – Axossecretora;

2 – Axoaxônica;

3 – Axodendrítica;

4 – Axoextracelular;

5 – Axossomática;

6 – Axosináptica.

Os neurônios podem ainda ser divididos em:

Unipolares  possuem um corpo celular e um axônio. 

Bipolares possuem um dendrito, um corpo celular e um axônio. 

Pseudounipolares possuem um corpo celular e somente um prolongamento, que se comporta como dendrito em uma de suas porções e como axônio na outra porção. 

Multipolares possuem um corpo celular, vários dendritos e um axônio. Constituem a maioria dos neurônios do tecido nervoso.

As fibras nervosas são conjuntos de axônios, sem corpos celulares, que interligam o sistema nervoso central com a periferia.

As fibras nervosas são envolvidas por “capas” de tecido conjuntivo denominados endoneuro (envoltório de uma única fibra nervosa), perineuro (envolve um fascículo nervoso) e epineuro (envolvem diversos fascículos) sendo este último bem vascularizado.

Na grande maioria das vezes o impulso nervoso possui condução anterógrada, isto é, dos dendritos para os axônios.

O impulso nervoso inicia-se por um potencial de ação desencadeado no receptor periférico constituindo a via aferente ou ascendente de condução, enquanto que a resposta a essa despolarização caminhará por uma via denominada eferente ou descendente.

Entre a via aferente e a via eferente, o cérebro, tronco cerebral ou o cerebelo recebem essas informações e as interpretam, em centros denominados centros de associação. Assim percebemos informações dolorosas, térmicas, de tato, pressão, informações sobre pressão arterial, alteração de pH, pressões dos gases, viscerais, motoras, etc.

O meio pelo qual o neurônio sofre despolarização, repolarização e hiperpolarização, suas alterações químicas e físicas são discutidas detalhadamente na fisiologia.

Além de células neuronais (neurônios propriamente ditos) o sistema nervoso possui uma diversidade de células “auxiliares” denominadas células da glia ou neuróglias.

A) As células de Schwann são responsáveis pela mielinização dos axônios do sistema nervoso periférico;

B) Os oligodendrócitos são células responsáveis pela mielinização dos axônios dentro do sistema nervoso central;

C) Micróglias são macrófagos que atuam na remoção de resíduos do sistema nervoso;

D) Gliócitos são células que atuam na sustentação do sistema nervoso;

E) Astrócitos são as principais células da glia, atuando na nutrição do neurônio já que estas células estão no caminho entre o vaso sanguíneo e o neurônio.

Além de atuar como células de nutrição, são barreiras a componentes exógenos como antibióticos, por exemplo, ou mesmo excesso de alguns íons como o potássio;

F) Células ependimárias ou Ependimócitos são células que revestem os ventrículos encefálicos e o canal central, estando em contato direto com o líquido cefalorraquidiano. 

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

DRAKE, Richard L.; VOGL, A. Wayne; MITCHEL, Adam W. M.: Gray’s anatomia clínica para estudantes. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

HALL, John Edward; GUYTON, Arthur C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5 ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

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